Sessão de Cinema

Laranja Mecânica na tela grande

 Um certo Alex (Malcolm McDowell) causou furor nos cinemas em 1971. Protagonista de Laranja Mecânica (Stanley Kubrick), o jovem britânico se ...
17/06/2014 - 06h35 - Atualizado em 17/06/2014 - 13h47 | João Nunes
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Laranja Mecânica na tela grande

 Um certo Alex (Malcolm McDowell) causou furor nos cinemas em 1971. Protagonista de Laranja Mecânica (Stanley Kubrick), o jovem britânico se notabilizou pela violência no papel de líder de gangue de delinquentes que mata, rouba e estupra. Tristes tempos aqueles. No Brasil vivíamos sob ditadura militar e o filme, baseado no romance de Anthony Burgess (1962), foi proibido.

 

Quando lançado, em 1979, as cenas de nudez ganharam ridículas bolinhas pretas que cobriam o sexo das personagens – fato que entrou para o folclore cinematográfico, pois provocava gargalhadas na plateia e passou atestado de burrice à ditadura que, felizmente, caminhava para o fim. Dois anos depois, ele retornou às salas livre das tais bolinhas.

 

Sábado passado, o filme foi exibido em Campinas na sessão Clássicos Cinemark, à meia-noite, em cópia restaurada digitalmente. E, assim como ocorreu com Pulp Fiction – Tempo de Violência (Quentin Tarantino, 1994) no sábado anterior, que lotou a sala de 200 lugares, longa fila se formou para assistir a obra-prima de Kubrick.

 

A razão? Ver um clássico da dimensão de Laranja Mecânica na tela grande. Pode parecer fetiche de cinéfilo, mas não. Mais de 40 anos depois (mais de 30 no caso do Brasil), alguns jovens estiveram bem próximos da sensação experimentada pela geração dos anos 1970. O Caderno C conversou com alguns espectadores, formado na maioria por jovens, antes da sessão.

 

Vinícius Brunello tinha um ano quando o longa estreou. Aos 18 o assistiu pela primeira vez em VHS. Apesar da copia ruim, se encantou e, no começo dos 2000, comprou o DVD. Porém, o gerente-proprietário de restaurante no centro nunca o tinha visto no cinema. Para se garantir, comprou antecipadamente o ingresso.

 

Cinéfilo de carteirinha (vê 15 filmes por mês no cinema), ele entende que o longa tem muitas qualidades, como a história, a trilha, o figurino, a fotografia e a direção de arte. “Além de Kubrick ser meu diretor favorito”. A ida à sessão se justifica, segundo ele, por causa do som, da dimensão da tela, da cópia remasterizada e porque continua atual.

 

Luís Fernando Oliveira, químico de 26 anos, conta que saiu de casa para ver um clássico. “Ele mexe comigo, vi duas vezes, e eu gosto muito de Kubrick”. O que mais lhe atrai “é a visão futurista violenta e pessimista que choca, e a estética revolucionária para a época”.

 

O primeiro contato de Leandro Alves de Sousa, geógrafo, 35 anos, com a produção foi aos 28, mas queria experimentar a sensação da tela grande. “Não gosto dele pela violência, mas este é um detalhe que chama a atenção”. A expectativa do torneiro-mecânico Raí Main era desfrutar do som alto e da dimensão da tela, uma vez que já o viu em DVD.

 

A estudante de psicologia Ana Carolina Massarão, de 28 anos, quis aproveitar que está terminando o curso para estabelecer nova conexão com a história, que ela conhece. “Acho que vou ter visão diferente da que tive na primeira vez quando adolescente. O mais interessante é o tratamento inviável e com técnicas polêmicas pelo qual passa o personagem”.

 

Tarina Alves da Silva, publicitária, 21, tentou vê-lo várias vezes e nunca foi até o fim. “Vai ser boa oportunidade assisti-lo inteiro, porque gosto da história, além do fato de que o assunto continua atual, especialmente por causa das manifestações que acontecem atualmente no País”. Débora Franzolin tem 17 anos e viu Laranja Mecânica cinco vezes, mas nunca na tela grande. “Minha expectativa é muito grande”, disse antes da sessão.

 

Números

Segundo a assessoria da Rede Cinemark, até o momento, mais de 25 mil espectadores foram aos cinemas do País conferir a atração. Por ter política de não divulgar números, a rede informa apenas que o complexo de Campinas está entre os dez maiores públicos – são 32 complexos que exibem a sessão no Brasil. Afirma ainda que após a exibição de dois clássicos, Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976) e Pulp Fiction, o segundo foi o mais visto.

 

De acordo com a diretora de marketing da rede, Bettina Boklis, foram estabelecidos os atuais horários (sábados, 23h55; domingo, 12h30; e quarta, 19h30) por ser uma programação inédita. No entanto, para a segunda temporada, com início previsto para julho, a ampliação do circuito de exibição está sendo avaliada.

 

“Estamos testando os horários e avaliando a receptividade do público para aperfeiçoar o formato”, afirma. Segundo a diretora, a reação do público foi muito positiva, como demonstra o expressivo número de espectadores que foram ao cinema. “O público já nos pergunta sobre os filmes da próxima temporada e celebra a iniciativa. Observamos que o boca-a-boca tem atraído cada vez mais espectadores”.

 

A próxima temporada prevê a exibição de O Poderoso Chefão, Forrest Gump – O Contador de Histórias, Império do Sol, História Sem Fim, Quanto Mais Quente Melhor e Lawrence da Arábia.

 

*Publicado no Correio Popular de Campinas em 17/6/2014



TAGS | Blog, RAC
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