Sessão de Cinema

Oscar 2014

Na 86ª edição do Oscar, realizada domingo em Los Angeles, Estados Unidos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ...
04/03/2014 - 09h12 - Atualizado em 04/03/2014 - 15h42 | João Nunes
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Oscar 2014

Na 86ª edição do Oscar, realizada domingo em Los Angeles, Estados Unidos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tinha duas opções bem claras: Gravidade (Alfonso Cuarón), com dez indicações, e 12 Anos de Escravidão (Steve McQueen), com nove. Optou pelo segundo e demonstrou ousadia política em detrimento de um concorrente que é espetacular como imagem e experiência visual, mas puro entretenimento. O ganhador, além de melhor filme, conquistou as categorias de roteiro adaptado e atriz coadjuvante – total de três prêmios.


Porém, o suspense durou até o fim, pois, até então, Gravidade tinha conquistado nada menos que sete estatuetas – a maioria por prêmios técnicos, como era esperado. Ficou estranha a contagem final: o vencedor 12 Anos de Escravidão saiu com três Oscar contra sete de Gravidade – que valeu pelo talentoso diretor mexicano Alfonso Cuarón, o primeiro latino-americano a ganhar nessa categoria.


Também como era esperado Cate Blanchett levou o Oscar de atriz por Blue Jasmine e Matthew McConaughey por Clube de Compras Dallas. Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street) mais uma vez foi ignorado pela Academia. E o favorito Jared Leto (Clube de Compras Dallas) levou o prêmio de coadjuvante, apesar do belíssimo trabalho de Michael Fassbender em 12 Anos de Escravidão.


Entretanto, ele fez o discurso mais emocionado e político da noite. Contou a história da mãe dele, solteira, que o ensinou a sonhar, dedicou o prêmio aos que perderam a luta contra a aids (o filme é sobre aids) e exaltou os manifestantes da Ucrânia e a da Venezuela. “Estamos observando e pensando na luta de vocês”, disse.


Outro momento emocionante foi o discurso da queniana Lupita Nyong’o (foto no filme ganhador), melhor coadjuvante. Lindíssima (uma das mais bem vestidas) e aplaudida em pé, ela chorou ao agradecer o diretor de 12 Anos de Escravidão, Steve McQueen, e ao elenco, além da família que lhe permitiu estudar teatro.


Clube de Compras Dallas surpreendeu ao ganhar três estatuetas, enquanto os ótimos O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese) e Nebrasca (Alexander Payne), os dois melhores entre os nove concorrentes, ficaram vendo navios. O fiasco da noite foi Trapaça (David O. Russel), campeão de indicações (dez) também saiu sem nada.


Apresentando os prêmios de animação, a figura mais bizarra foi Kim Novak, estrela de Um Corpo que Cai (Alfred Hitchcock, 1958) desfigurada pelas plásticas, botox e afins. O mais chato, U20 eternamente engajado, cantando a sonolenta canção de Mandela: Long Walk to Freedom. A piada mais engraçada ficou com Paolo Sorrentino que, ao receber o merecido prêmio de filme estrangeiro por A Grande Beleza (Itália), disse que seus inspiradores são Federico Fellini, Martin Scorsese e Diego Armando Maradona. E na homenagem aos que morreram o Brasil se fez tristemente presente com Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas do mundo.


A apresentação da comediante Ellen DeGeneres foi um caso à parte, mas quase sem nenhuma graça. Fantasiou-se como se estivesse num desfile de carnaval, ofereceu raspadinha a Bradley Cooper, porque ele não foi premiado, tirou foto com um monte de gente para bater um recorde no tuiter e pediu pizza de verdade, distribuiu aos atores e passou o chapéu para a gorjeta do entregador, transformando a cerimônia num show de TV de quinta. Bateu recorde de audiência, provando que na TV, em geral, só cabe o circo.


O vencedor

A força inicial de 12 Anos de Escravidão está na história de um negro livre que, em tempos de escravidão (1841), vive como branco. A liberdade solitária de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) não extinguiu a prática escravagista e seus pares seguem sofrendo as dores da escravidão, porém, só depois de sequestrado e experimentar doze anos de humilhação e tortura, ele se torna consciente da condição de segregado por causa da cor da pele.


O mérito de um filme está sempre nele próprio, não no tema. Entretanto, 12 Anos de Escravidão consegue a proeza de unir um tema relevante com garantia de bom cinema. A despeito de temática dura e necessária, ele oferece esmero técnico, elementos para nos tocar sem explorar emoções e ainda nos reserva o prazer de ver uma obra de inequívocas qualidades. E o final, que poderia desandar para um melodrama mexicano, é um belo desfecho.



Saiba Mais

Confira os vencedores do Oscar 2014



Filme

12 Anos de Escravidão


Diretor

Alfonso Cuarón (Gravidade)


Ator

Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)


Atriz

Cate Blanchett (Blue Jasmine)


Ator coadjuvante

Jared Leto (Clube de Compras Dallas)


Atriz coadjuvante

Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)


Roteiro adaptado

12 Anos de Escravidão


Roteiro original

Ela


Filme estrangeiro

A Grande Beleza (Itália)


Trilha sonora

Steven Price (Gravidade)


Canção original

Frozen


Desenho de produção

O Grande Gatsby


Edição

Gravidade


Fotografia

Gravidade


Edição de som

Gravidade


Mixagem de som

Gravidade


Documentário de longa-metragem

A um passo do Estrelato


Documentário de curta-metragem

The Lady in Number 6: Music Saved My Life


Curta-metragem

Helium (Dinamarca)


Longa de animação

Frozen: Uma Aventura Congelante


Curta de animação

Mr Hublot


Efeitos visuais

Gravidade


Maquiagem e cabelo

Clube de Compra Dallas


Figurino

O Grande Gatsby



TAGS | Blog, RAC
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João Nunes
Sou formado em teologia e jornalismo. Sou crítico de cinema do Correio Popular de Campinas, onde atuo desde 1999. Tenho dois livros publicados: Partido ao Meio (romance, 1999) e As Mãos de Pelé (contos de futebol, 2006). Gosto de cinema, literatura, futebol e vinho.

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