Após denúncias, UPA fecha as portas
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Após denúncias, UPA fecha as portas


ONG que atuava na proteção aos animais foi alvo de suspeitas de maus-tratos contra cães em agosto

INVESTIGAÇÃO

Após denúncias, UPA fecha as portas

ONG que atuava na proteção aos animais foi alvo de suspeitas de maus-tratos contra cães em agosto

07/11/2013 - 06h30 - Atualizado em 07/11/2013 - 08h37 | Patrícia Azevedo
patricia.azevedo@rac.com.br

Foto: Dominique Torquato/AAN
Na fazenda onde funcionava o antigo canil da União Protetora dos Animais (UPA), no Jardim Califórnia, a porteira está trancada com cadeado
Na fazenda onde funcionava o antigo canil da União Protetora dos Animais (UPA), no Jardim Califórnia, a porteira está trancada com cadeado

A União Protetora dos Animais (UPA), entidade de defesa animal fundada pelo deputado estadual Feliciano Filho (PEN) há mais de dez anos em Campinas, deixou de existir na prática após as denúncias de maus-tratos contra os cerca de 40 cães que ficavam no canil da entidade.

Fundada em 2001 por Feliciano, a ONG deixou de fazer resgate de animais em situação de risco e extinguiu o canil que funcionava dentro da sede de uma fazenda, localizada no Jardim Califórnia, às margens da Rodovia Anhanguera, em Campinas.

A reportagem esteve nesta quarta-feira (6) no local e verificou que o espaço está desativado e a entrada está trancada com cadeado e cercada de arame farpado. “Deixamos de fazer resgates e não temos mais abrigo. A única coisa que está sendo feita é encaminhamento de pessoas que querem desconto em clínicas”, afirmou uma fonte ligada à entidade e que não quer ter o nome revelado.

Uma das vizinhas do sítio, que se identificou apenas como Rita, afirmou que os cães foram retirados do espaço poucos dias após a denúncia de maus-tratos ser veiculada na imprensa, em 14 de agosto. “Passou uns dois dias depois da confusão e vieram aqui para levar os cães embora. Está tudo fechado, não voltou mais ninguém aqui”, afirmou Rita.
A informação foi confirmada por uma fonte ligada à entidade. Os animais, afirma essa fonte, foram encaminhados para a sede de uma organização não-governamental (ONG) parceira da UPA. “Estão todos sendo muito bem cuidados em uma ONG parceira nossa até que tudo se desenrole na Justiça”, afirmou a fonte.

O atual presidente da UPA, Vicente Carvalho, foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado para comentar o caso. Feliciano Filho, fundador da UPA, não quis falar sobre o assunto. Ele afirma que se desvinculou da presidência do grupo há pelo menos quatro anos e que por isso não pode responder pela entidade.

Os policiais da Setor de Proteção aos Animais e Meio Ambiente da Polícia Civil de Campinas (Sepama) fiscalizaram o abrigo no dia 14 de agosto depois de obterem um mandado judicial. A investigação, que começou depois de denúncias anônimas, corria há pelo menos dois meses. Havia pelo menos dez cães em estado grave de saúde no local, além de cinco filhotes mortos acondicionados em uma geladeira desligada, ao lado de uma sacola com carne moída estragada.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, o sítio era inadequado para servir de abrigo pois não apresenta estrutura contra frio e umidade. E a poucos metros do sítio existe uma nascente de água, para onde seriam lançados os dejetos dos animais.

Depois da ação, a Secretaria Municipal do Verde e Desenvolvimento Sustentável fez uma vistoria no abrigo e multou a entidade em R$ 45 mil por quatro irregularidades ambientais. Na época, Feliciano afirmou que a investigação era uma “ação política” contra o seu trabalho.

A investigação está agora a cargo da Delegacia Seccional de Campinas. Nenhum representante do setor foi localizado durante todo o dia de ontem para comentar como está o andamento do inquérito.

Polícia Civil faz correição em toda a Sepama

Policiais da Corregedoria de São Paulo saindo com documentos da SepamaA Polícia Civil de Campinas está fazendo uma correição nos inquéritos, laudos, documentos e viaturas do Setor de Proteção aos Animais e Meio Ambiente da Polícia Civil de Campinas (Sepama). Policiais da Delegacia Seccional de Campinas e da Corregedoria da Polícia Civil estiveram durante toda manhã e tarde de ontem na sede da Sepama, que funciona no bairro Nova Campinas. Os policiais apreenderam cópias de todos os inquéritos e boletins de ocorrência registrados desde 2011, além de verificar todos os talonários para o uso de viaturas.

Correição é uma espécie de auditoria que a polícia faz periodicamente em suas unidades para verificar o andamento do trabalho, dos inquéritos e conversar com funcionários. Além das correições ordinárias, que são agendadas com antecedência, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que está realizando correições extraordinárias em algumas cidades. Segundo a SSP, Campinas foi escolhida por ser a maior cidade do Deinter -2.

Disputa

A Sepama foi palco de uma disputa política no ano passado entre a delegada Rosana Mortari, que foi candidata a vereadora, e o deputado Feliciano Filho (PEN). Depois de se licenciar para disputar o cargo, Rosana foi impedida de voltar à Sepama, provocando uma série de reclamações entre os protetores. O Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Campinas (CMPDA), ONGs e protetores de animais da cidade se uniram para pedir o retorno de Rosana frente à delegacia, cargo que ocupava há dois anos. E deu certo, ela voltou a comandar o setor. Feliciano nega que haja qualquer disputa política com a delegada, que também foi procurada ontem pela reportagem do Correio, mas não foi localizada para comentar o fato até o fechamento desta edição. 

Parceiro fala em 'perseguição política' vinda da Assembleia

O deputado estadual Sérgio Olímpio Gomes (PDT) protocolou junto à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) um requerimento de informações sobre os casos investigados pela Sepama, em Campinas. Gomes, que tem forte atuação junto a questões de segurança pública e nunca atuou na defesa dos animais antes, elenca 11 tópicos sobre os quais quer informações. O primeiro da lista é sobre a quantidade de animais apreendida pela Polícia Militar e depositada aos cuidados do veterinário Diogo Ribeiro Siqueira, parceiro da Polícia Ambiental e da Sepama.

O veterinário afirma que o deputado Olímpio Gomes agiu em nome do também deputado Feliciano Filho (PEN). “Está claro que se trata de uma perseguição política contra a Sepama e a Polícia Ambiental, e estão querendo me usar para tentar encontra algo contra elas”, afirmou Siqueira. O veterinário esclarece que tem todas as licenças e autorizações para atuar, bem como os laudos de todos os atendimentos feitos. Os documentos foram entregues à reportagem.  O deputado Gomes foi procurado para comentar as denúncias, mas a assessoria de imprensa do seu gabinete afirmou que ele estava em viagem ao exterior e não poderia ser localizado.

Feliciano Filho diz que o requerimento partiu do colega de Assembleia e foi motivado por causa de uma série de denúncias recebidas. “Eu não tenho nenhuma interferência no trabalho dele. O que aconteceu foi que o deputado pediu informações porque recebeu algumas denúncias e quer apurar isso”, afirmou Feliciano.

A correição na Sepama foi promovida pela Corregedoria Geral da Polícia Civil e o motivo da investigação é mantido sob sigilo. A investigação visa verificar a regularidade dos serviços policiais e não tem duração prevista para acabar. 

Informações requisitadas pelo deputado

Número de cada auto de apreensão, entrega e depósito, fornecendo data do depósito e espécie de cada um dos animais. Há o acompanhamento da Polícia Militar Ambiental de Campinas dos animais depositados com relação ao seu destino? Em caso positivo, requeiro que sejam fornecidos todos os laudos de verificação da soltura e destino dos animais que estavam depositados aos cuidados do veterinário Diogo Ribeiro Siqueira.

Requeiro que seja especificado o endereço do destino dado a cada um dos animais.

As solturas desses animais foram autorizadas pelo Ibama?

A área utilizada para a soltura dos animais está licenciada pelo Ibama?



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