Baú de Histórias

O dia em que o Rink desabou

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14/11/2013 - 15h24 | Janete Trevisani
faleconosco@rac.com.br
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O dia em que o Rink desabou

Em reportagem intitulada Uma cena tétrica e real fora da tela, o jornal Correio Popular relatou, em 24 de setembro de 1944, o incêndio que havia destruído o Cine República (esquina das ruas Francisco Glicério e Costa Aguiar) no dia anterior. Em menos de 30 minutos, o cinema foi completamente consumido pelas chamas. Não houve vítimas. Sete anos depois, no Cine Rink, situado a poucos metros de onde ficava o República, na Barão de Jaguara com a Conceição, outra tragédia, dessa vez com 25 mortos, entre eles muitas crianças, e mais de 400 feridos.

Tarde de 16 de setembro de 1951, dia de jogo entre Ponte Preta e XV de Piracicaba no Estádio Moisés Lucarelli. No intervalo da partida, o sistema de som anuncia o pedido de comparecimento aos portões de saída de médicos que estivessem no estádio. Ainda não se falava no acidente, como forma de evitar tumulto na saída dos torcedores. Só no final do jogo é que os alto-falantes informaram sobre a destruição do cinema.

Dessa forma, desaparecia o local de diversões que começou em 1878 com um rinque de patinação, passatempo preferido da elite da época. Depois, o prédio serviu para apresentações de circo, lutas, bailes e teatro, até se transformar em cinema. No dia 12 de abril de 1930, o Rink foi cenário de uma das primeiras apresentações de cinema sonoro em Campinas. No dia do desabamento, o filme em cartaz era Amar Foi Minha Ruína.


Última sessão

A tragédia do Rink foi tema de projeto experimental de alunos do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Em 1998, os jornalistas Christiane Ribeiro, Crislaine Coscarelli e Samuel Leite escreveram A Última Sessão, livro-reportagem com orientação do professor Marcel Cheida, documento precioso para quem quer conhecer detalhes daquele dia que abalou Campinas. Confira alguns trechos:


- Três e dezoito... O tempo para. Uma das vigas que sustenta o meio do telhado se desprende e cai sobre o estuque (tipo de forro feito com cimento e tela). Este, incapaz de suportar tanto peso, desencadeia uma avalanche de madeiras, pregos e telhas sob centenas de pessoas e atinge principalmente as que se sentaram nas fileiras do meio. A madeira repleta de pregos cai como uma lâmina afiada, desfigurando rostos, arrancando peles, roupas e tudo que tentasse impedir o choque. Dedos, mãos e braços foram decepados.


- As vítimas foram colocadas na calçada em frente ao cinema, algumas foram atendidas na Farmácia São Luís, a poucos metros do Rink. Muitos taxistas se ofereceram para transportar os feridos até o hospital enquanto as ambulâncias não chegavam.


- O fotógrafo Gilberto Di Biasi chegou ao local e não acreditou no que viu. Pensou que muitos ali deveriam ser seus conhecidos, mas mesmo assim executou seu trabalho.-


- O luto predominava em toda a cidade. A população de 130 mil habitantes vestia-se de negro, e o céu, de cinza.


- As famílias velaram durante toda a noite os corpos dos parentes na própria casa e, ao amanhecer, se preparavam para o enterro.


- No dia 21 de setembro de 1951, chegou às mãos da administração de cooperação técnica, assinado pelo então prefeito de Campinas, Miguel Vicente Cury, que solicitava a ajuda dos peritos da USP para apurar as causas do desastre.


- No documento, a equipe creditou o desastre à queda de uma das tesouras, responsável direta pelo suporte do telhado. Esse desabamento teria carregado parte da estrutura central, fato que causou a morte instantânea de grande parte das vítimas.


- Passado tanto tempo, muitas dúvidas ainda restam acerca da real causa do desabamento. Fatores como informações desencontradas, a falta de esclarecimento oferecido à população, aliados à dor, à tristeza e às muitas lágrimas, fizeram desses anos todos um pesadelo na vida de muitas famílias.





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