Baú de Histórias

Início da imprensa em Campinas

14/11/2013 - 15h04 | Janete Trevisani
faleconosco@rac.com.br

 


A imprensa de Campinas nasceu em 4 de abril de 1858, quando foi publicado o primeiro exemplar do Aurora Campineira, dos irmãos João e Francisco Teodoro Siqueira e Silva. O jornal, que ficava localizado na rua Pórtico, atual Ferreira Penteado, era um tablóide de quatro páginas, tamanho ofício, e surgiu na época em que a cidade tinha perto de 9 mil moradores. O mais curioso é que a tipografia do Aurora foi comprada pelos irmãos Siqueira e Silva de um homem que mais tarde ficaria mundialmente conhecido: Hércules Florence, o inventor da fotografia.

João Teodoro costumava criticar os políticos desonestos em artigos do jornal e sofreu muitas perseguições, além de responder a vários processos. Em 10 de janeiro de 1860, o jornal tornou-se órgão oficial do Partido Conservador, com o nome de O Conservador e direção de Francisco Antônio de Araújo. No livro História da Imprensa de Campinas, o historiador Júlio Mariano conta que o jornalista combativo João Teodoro tornou-se um prosaico e inofensivo homem de negócios em sua tipografia. Também dava aulas de gramática para alunos particulares. Outras publicações foram surgindo na cidade, como Gazeta de Campinas, O Diário de Campinas e O Constitucional.


 


Primeiras revistas


Foram muitas as tentativas de fazer magazines literários e sociais na Princesa D’Oeste. A revista do Centro de Ciências, Letras e Artes, com o volume das seis dezenas de números editados, deixou sua marca. Idealizada por César Bierrenbach e José de Campos Novais, a publicação nasceu em março de 1902, sob a direção de Coelho Neto. Um dos mais importantes redatores foi Alberto Faria.

Depois surgiu a Monóculo, de Cleso de Castro Mendes, que estreou em 1915 e não durou mais que seis números. Em 1919 foi a vez da Revista Campineira e, em 1921, da quinzenal A Onda, com Domingos de Andrade na edição e Vitor Caruso como um dos redatores. Em 1923, porém, assumia a direção da revista o jovem intelectual Hildebrando Siqueira. Os colaboradores passaram a ser mais numerosos, com o aparecimento de alguns poetas de diferentes localidades, como Moacir Chagas e Belmiro Braga. As ilustrações eram de Manolo Romano, Xico Hadade e Zéca Mendes. A Onda não chegou a 1925, quando Domingos perdeu tudo e, mais tarde, como frequentador da redação de O Dia, em São Paulo, era visto pobremente vestido e bastante abalado.Depois surgiram Luneta, Cigana, Campinas, Ramona, Nirvana, Palmeiras e Mensagem de Campinas, a última já na década de sessenta.


Modernismo chegou com Álvaro Ribeiro


Mas quem revolucionou de verdade a imprensa de Campinas foi Álvaro Ribeiro. Primeiro criou o Diário do Povo, em 1912, onde permaneceu até 1924. O jornalista e historiador campineiro Júlio Mariano registra: “Coube a Álvaro Ribeiro a iniciativa revolucionária no interior de instalar na Princesa D’Oeste a imprensa moderna”. Homem público a quem a imprensa era uma necessidade premente, como complemento à sua tribuna política de vereador, Álvaro Ribeiro lançou o Correio Popular em 4 de setembro de 1927.  A César Ladeira, então jovem, que mais tarde, em São Paulo e no Rio de Janeiro, se revelaria brilhante locutor, coube inaugurar, na moderna folha de Álvaro Ribeiro, a coluna social. Como colunista, César Ladeira usava o pseudônimo de Noel Vilaça. Com a morte de Álvaro Ribeiro, seu secretário e grande amigo Tasso Magalhães assumiu a chefia de redação do jornal, mantendo fidelidade à linha independente e de oposição aos desmandos cometidos contra a cidade pelos governantes do Partido Republicano Paulista, o PRP.


 


Rua Álvaro Ribeiro

Álvaro Ribeiro, filho dos portugueses Maria Augusta e Antônio Joaquim Ribeiro, nasceu em 17 de fevereiro de 1876 e morreu com apenas 53 anos, em 13 de agosto de 1929. Fundou dois jornais, participou da fundação de outros dois, construiu e dirigiu um hospital para crianças pobres e dois colégios, o Cesário Motta e o Ateneu Paulista. Foi vereador por sete legislaturas consecutivas, desde 1906, e escreveu um livro, Falsa Democracia, denunciando o clientelismo político no Brasil, nos três anos que passou exilado em Portugal, por causa da fracassada revolução de 1924.


 


 


 





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