EDITORIAL

Saúde é hoje um entrave à cidadania


03/08/2013 - 05h00 |

Não apenas a corrupção no meio político foi o foco principal das manifestações de rua no mês de junho. A sociedade expôs toda a sua indignação de maneira clara, levantando uma pauta de reivindicações variada, mas ao mesmo tempo objetiva. A reforma política deve ser alcançada de forma institucional, contemplando uma nova visão que afaste o ranço coronelista e o domínio de uma falsa elite governante que se estabiliza no poder por conta de um sistema viciado e voltado a interesses corporativos.

Mas havia muito mais nos gritos de indignação da sociedade. A falência dos serviços públicos é evidenciada pelas filas nos postos de atendimento em saúde, na concessão de benefícios, no transporte caótico nas grandes cidades, na falta de investimentos em infraestrutura, nas escolas com problemas pedagógicos e físicos, no serviço precário oferecido em todos os níveis, mostrando governos com graves problemas estruturais, sem vontade política e competência para avançar em áreas essenciais.

A Saúde é um dos maiores entraves para o exercício pleno do direito individual e coletivo. Centrado na administração pública, o setor amarga a falta de investimentos, programas equivocados, prejuízos por má gestão, jogando a grande maioria dos brasileiros em um Sistema Único de Saúde que é ideal em sua concepção e imperfeito na execução. Não se faz saúde pública sem hospitais, médicos e medicamentos de qualidade e distribuídos segundo as demandas da sociedade. Este é o gargalo que o governo enfrenta por incompetência e desperdício.

Acuada pelas vozes das urnas, a presidente Dilma Rousseff teve espasmos de propostas para corrigir as graves deficiências no setor. Falou em trazer médicos de Cuba para atendimento primário, estender os cursos de medicina por mais dois anos com serviço na rede pública, aumentar o número de vagas nas universidades. Tudo promessas de ocasião, relances de projetos, lançados de supetão para abafar a crise política e institucional. Não precisou muito tempo para voltar atrás na maioria das propostas — da mesma forma que com a reforma política por plebiscito ou referendo — rendendo-se à realidade de que a gravidade da situação não comporta soluções alquímicas e imediatistas.

O único resultado colhido foi a frustração da população com a falta de soluções palpáveis, o enfrentamento da classe médica e seus representantes, e a conclusão de que, se pretende dar respostas às manifestações, serão necessários muitos anos à frente para reverter uma situação de crise instalada, esta sim, com competência.



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