CORREIO POPULAR

Manifestação de médicos cancela 780 atendimentos

Cerca de 400 profissionais e estudantes protestaram contra a importação de estrangeiros
04/07/2013 - 06h00

A paralisação de 400 médicos do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Hospital Municipal Mário Gatti fez com que 780 atendimentos ambulatoriais deixassem de ser realizados nas duas unidades, nesta quarta-feira (3), em Campinas.

Das 184 consultas marcadas no Mário Gatti, apenas 55 foram realizadas com profissionais da pediatria, fonoaudiologia, nutrição e a ala de curativos. Os pacientes em pós-operatório e a coleta de exames não foram prejudicadas. Treze cirurgias foram desmarcadas. O hospital informou que quatro cirurgias ortopédicas serão realizadas hoje. As demais serão remarcadas, assim como as consultas canceladas.

No HC, que atende diariamente cerca de 1,3 mil pacientes, apenas metade conseguiu atendimento. Os outros 650 pacientes que tinha consultas marcadas tiveram a data remarcada. O hospital, que realiza, em média, 45 cirurgias por dia, manteve esses procedimentos. Apenas atendimentos de urgência e emergência foram mantidos.

Os profissionais de Campinas se mobilizaram para protestar contra a importação de médicos anunciada pelo governo federal. “Não é com importação de médicos que o problema da saúde vai ser resolvido”, afirmou o professor e médico Jorge Cury.

Ele argumenta que é arriscado trazer médicos que não têm formação completa e, muitas vezes, não falam o português para atender à população. “Importar médicos não resolve nada se não melhorar as condições de trabalho, melhorar os equipamentos, ter remédios e uma boa rede de referência”, afirma.

A mobilização é nacional e foi organizada, na cidade, pela Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. O presidente Clóvis Machado disse que a entidade não é contra a importação, desde que eles passem pelo processo de revalidação do diploma. Segundo Machado, é preciso melhorar as condições de trabalho e a remuneração dos médicos, além de fazer uma série de melhorias na qualidade da infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS).

A mobilização começou durante a manhã. Os residentes do HC fizeram um ato em frente à unidade e depois seguiram para o Centro.

Carta

Em carta direcionada à população, os profissionais defendem que a importação de médicos, de forma isolada, não irá resolver os graves problemas na Saúde. “Nossas pautas de reivindicação são aumento do financiamento da saúde pública; melhora na atenção básica de saúde em todo o País; melhora nas condições de trabalho da população; acesso a exames diagnósticos e sem restrição de cotas; acesso gratuito a medicamentos de qualidade e plano de carreira para os profissionais da saúde”, diz o documento.