CORREIO POPULAR

Sobre protestos e revoluções

20/06/2013 - 05h00 | Lalá Ruiz
lala@rac.com.br

Até anteontem, pelo menos 60 mil campineiros haviam confirmado pelo Facebook presença na manifestação marcada para hoje, às 17h, no Centro da cidade, em virtude do alto preço da passagem de ônibus e outras coisas mais. Se todo mundo realmente comparecer, vai ser uma coisa bonita de se ver. Acho que desde os tempos do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello não se via uma mobilização tão bacana (e olha que naquele tempo não tinha internet e o povo tomou as ruas pacificamente — como está na moda repetir a cada duas frases ditas nas reportagens de televisão — para pedir a saída dele). De forma que, pacificamente, gostaria de propor a cada um desses 60 mil companheiros, companheiras, agregados e a quem mais possa interessar, que aproveitem e promovam também um protesto interno, uma revolução pessoal. Que paremos com as pequenas corrupções cotidianas e exijamos nossos direitos com a autoridade de quem dá o exemplo. Se queremos um Brasil melhor e mais justo, faz-se necessário que cada um cumpra o seu papel de cidadão. Assim, proponho o seguinte:

— Chega de furar fila;

— Chega de jogar lixo na rua;

— Chega de ocupar o assento destinado a idosos, gestantes e deficientes no ônibus e fazer de conta que não é com você;

— Chega de dirigir falando ao celular;

— Chega de não dar seta na hora de fazer a conversão;

— Chega de fechar o cruzamento;

— Chega de falsificar carteira de estudante;

— Chega de sustentar o crime organizado;

— Chega de “beliscar” frutas no supermercado sem pagar a título de “experimentar pra ver se a uva está doce”;

— Chega de ocupar com um mero carrinho duas vagas no estacionamento;

— Chega de culpar o professor pela falta de educação do seu filho;

— Chega de dar “é assim mesmo” como resposta quando alguém faz algo errado na nossa frente;

— Chega de não devolver o troco errado;

— Chega de tentar arrumar uma boquinha com o amigo vereador;

— Chega de fazer patrulha ideológica (amigo que é amigo perdoa o camarada que ajudou a eleger candidatos esdrúxulos em nome do voto de protesto ou aquele que defende com unhas e dentes o seu eleito, mesmo que os fatos mostrem que ele não mereça tanta devoção assim — afinal, ainda vivemos numa democracia);

— E chega de um monte de outras coisas que tornaram tão famoso o tal jeitinho brasileiro.
Sei que parece bobagem, mas, acredito piamente nisso: nenhuma mudança se concretiza se as pessoas não se conscientizarem de que viver em sociedade demanda mais do que sair às ruas em marcha. Que cada um faça a sua parte nos “bastidores”.

P.S.1: E por falar na passagem de ônibus, vai ser cara assim na casa do chapéu! Principalmente porque o serviço oferecido em troca não faz jus ao que é cobrado. Está mais do que na hora de os cálculos serem refeitos e os subsídios reavaliados levando-se em conta o cidadão em primeiro lugar. E quem disser o contrário com certeza não usa transporte coletivo, nem que seja de vez em quando (como é o meu caso). #prontofalei

P.S.2 Assistindo do lado de cá do monitor e da tela de TV aos protestos Brasil afora, me lembrei de um fato ocorrido quando estava na faculdade, nos anos 80. Diante do avançado da hora e cansados de esperar por um ônibus (vazio) que parasse no ponto e os levasse ao Campus 1 da então Puccamp a tempo de assistir a qualquer aula, os estudantes promoveram uma pequena revolução em frente ao Redondo, no Centro: fizeram sinal para o primeiro veículo vazio que passava, entraram e pediram ao motorista que os levasse ao Campus 1, sem truculência ou coisa do tipo, apenas explicando que estavam perdendo aula devido à falta de ônibus e informando que pagariam a passagem. E ele levou, na boa. Como eu sei disso? Estava entre eles! Não sei o que aconteceu com o motorista, se ele foi punido ou algo do gênero, mas ele tem a minha gratidão pela solidariedade.






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Rodrigo de Moraes é jornalista da Agência Anhanguera de Notícias rodrigo@rac.com.br

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