RESTAURAÇÃO

Locomotiva histórica volta para os trilhos nesta terça

Máquina de 1952 veio da extinta Mogiana e faz primeira viagem após ser restaurada pela ABPF

30/04/2013 - 08h28 | Maria Teresa Costa
teresa@rac.com.br

Foto: Dominique Torquato/AAN
Locomotiva de 1952 faz a primeira viagem após ser restaurada
Locomotiva de 1952 faz a primeira viagem após ser restaurada

Uma locomotiva de 1952, a primeira movida a diesel adquirida pela Companhia Mogiana de Estrada de Ferro em Campinas e única que restou de um lote de 12 máquinas a diesel fabricadas naquele ano e compradas pela empresa campineira, fará nesta terça-feira (30), às 10h, a primeira viagem desde que foi restaurada pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).

O passeio, que inaugura também o primeiro carro-restaurante da Mogiana, recuperado, é em comemoração ao Dia do Ferroviário e ao 159º aniversário da primeira ferrovia do Brasil, a Estrada de Ferro Barão de Mauá.

O carro-restaurante, segundo pesquisadas da entidade preservacionista, já deve ser centenário. O presidente da ABPF, Hélio Gazetta Filho, disse que não foi encontrada nenhuma data no carro.

A única identificação é R-1. “A Mogiana tinha quatro carros-restaurantes e esse era o número 1. A companhia começou a operar os restaurantes em 1913. O carro é dessa época”, afirmou.

A locomotiva é a primeira movida a diesel a integrar o acervo da ABPF, entidade que opera o trem turístico entre Campinas e Jaguariúna. A associação obteve, no ano passado, a guarda provisória da locomotiva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).

A obtenção da guarda é uma vitória da entidade preservacionista, que há dois anos conseguiu a ajuda do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) para impedir que a máquina fosse levada do pátio central.

O conselho tombou o equipamento com a exigência de que ele permanecesse em Campinas. Além da máquina da Mogiana, o Condepacc incluiu, no estudo, uma locomotiva operada pela antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro e que está guardada no mesmo barracão.

“Se a locomotiva saísse de Campinas, ela corria o risco de ficar abandonada por aí e ser depredada, acabando com o último exemplar do lote das primeiras máquinas a diesel da Mogiana”, disse Gazetta Filho.

A ALL, concessionária do transporte de carga que estava com a máquina, informou, na época da abertura do processo de tombamento, que a locomotiva havia sido arrendada à empresa no processo de concessão e que estava em uso, sendo parte dos equipamentos operacionais.

A máquina, segundo a ALL, nunca saiu de Campinas porque vinha sendo utilizado desde o início de sua operação, nos anos 1950, para movimentar carros e vagões nas oficinas instaladas no pátio central da cidade.

“Nos interessa ter uma máquina mais ágil na coleção para usar nas emergências. Se uma maria-fumaça quebra em Tanquinho, por exemplo, hoje levamos muito tempo para enviar outra para socorrer por causa do processo de aquecimento da caldeira. Com uma a diesel iremos mais rápido”, disse Gazetta.

Além disso, a intenção da entidade é ter exemplares de vários períodos da ferrovia, formando um museu ferroviário a céu aberto. “Se não fizermos nada para impedir a retirada desses equipamentos de Campinas, eles vão virar sucata, como já ocorreu com várias máquinas”, afirmou Gazetta.

A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi fundada em 18 de março de 1872, teve quase 2 mil quilômetros de linhas e serviu aos estados de São Paulo e Minas Gerais até 1971, quando foi incorporada à Ferrovia Paulista S.A (Fepasa).

Estação

A locomotiva foi recuperada na Estação Carlos Gomes, onde estão instaladas as oficinas da entidade. Segundo Gazetta, a parte elétrica foi toda refeita porque havia sido vandalizada no período em que ficou no pátio central. Ela terá lugar de destaque no acervo da ABPF porque é representativa do início de uma nova fase das ferrovias no Brasil, onde o diesel substituiu as marias-fumaças.

A ABPF tem, em Campinas, o maior acervo de marias-fumaças da América Latina (são 12 locomotivas restauradas e mais quatro à espera de recuperação e 60 carros e vagões) graças ao trabalho de garimpagem realizado pelos associados.

São ex-ferroviários e apaixonados por trens que dedicam parte de seu tempo a recolher preciosidades abandonadas em pátios desativados.

Sem isso, um importante acervo histórico estaria distribuído pelo País correndo o risco de ser corroído pela ferrugem ou virar sucata. Em processo de inventariança, a Rede Ferroviária Federal S.A., proprietária de todo o material das ferrovias desativadas, está leiloando tudo o que não entrou no processo de privatização.

As marias-fumaças estão sendo salvas graças ao convênio entre a ABPF e a RFFSA. Por ele, a entidade tem a cessão, em comodato por 99 anos, desses equipamentos, desde que restaure e mantenha a “frota” conservada.



Comentários(4)

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  • Reynaldo: (30/04 as 20h06)
    Tive a oportunidade de assistir sua primeira viagem no dia de hoje. achei muito linda a composição., saindo da Estação Anhumas.Parabéns.
  • Sérgio Fernando Goy: (30/04 as 18h13)
    Parabéns a ABPF e em especial ao Presidente Hélio Gazetta Filho, que não mediu esforços com sua equipe de profissionais, resgatando do Pátio da Estação da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro em Campinas, este único exemplar de Locomotiva à Diesel de 1952, que estava de deteriorando e enferrujando ao tempo, que era de um lote de 12 Locomotivas adquiridas pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro em 1952. Uma Diesel de 1952, uma raridade. Equipe da ABPF é magnífica mesmo. Parabéns.
  • Arsênio Novaes: (30/04 as 11h46)
    A ABPF está mais uma vez de parabéns! A preservação da História é a preservação de nossas vidas.
  • Carlos Felix: (30/04 as 10h35)
    Ótima notícia, porém, vamos ver o valor do passeio, pois a segunda mais bela estrada de ferro do mundo (Curitiba-Morretes) cobra em média 30 reais pelo passeio que dura 4 horas, passando por pecipícios, cachoeiras, montanhas, belissimas paisagens e túneis. Estou em Campinas a 13 anos e em 2000 fiz meu único passeio CPS-JGR com a maria-fumaça, paguei um absurdo, não vi belas paisagens e tenho até hoje uma pequena marca de queimadura no ombro, causada por uma brasa da locomotiva. Nunca mais. Abçs
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