RETRATO

IBGE revela novos limites na RMC

Mapeamento utilizou tecnologia mais precisa para corrigir as áreas territoriais das 19 cidades da região

02/12/2012 - 07h49 | Guilherme Busch
guilherme.busch@rac.com.br

Foto: Flávio Grieger/ AAN
Campinas foi a cidade que mais perdeu área na região,
Campinas foi a cidade que mais perdeu área na região,


A divulgação do Novo Atlas Territorial Brasileiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última terça-feira, mostra que os 19 municípios da Região Metropolitana de Campinas sofreram mudanças em seus territórios entre os anos de 2002 e 2010. Nove das cidades ficaram maiores, mas dez delas tiveram redução em suas áreas territoriais.


As mudanças, entretanto, são apenas técnicas e terão reflexos só nos mapas da região. Não houve nenhuma alteração de limite físico e real entre os municípios.


Entre eles, o que mais perdeu área foi Campinas, a maior cidade da região, que “encolheu” 1.264 metros quadrados nos oito anos do período — passando de 795.697 metros quadrados para 794.433. A seguir aparece Pedreira, que perdeu 1.117 metros quadrados. Indaiatuba foi a cidade que mais ganhou área territorial com o estudo — aumento de 1.485 metros quadrados.


A causa das mudanças é o uso de uma tecnologia mais avançada para a coleta dos dados de limites municipais. Com ela, foi possível usar escalas de 1:2.000 ou 1:5.000 na RMC (o normal no restante do país é de 1:50.000).
A definição dos novos limites também teve auxílio de imagens de satélite de alta resolução.


A escala é a relação matemática entre o comprimento ou distância em um mapa e a superfície real da área em questão. Quanto maior a escala, mais detalhada é a carta geográfica. Uma escala de 1:2.000, como a que foi utilizada na RMC, significa que cada 1 cm do mapa corresponde a 2.000 metros (ou 2 km) da área real retratada.
“Usamos esse recurso em regiões altamente adensadas como a de Campinas. No geral, os limites municipais brasileiros são elaborados com escalas entre 1:25.000 e 1: 50:000. Na Amazônia, onde os municípios são muito extensos e há pouco adensamento, podemos chegar a usar 1:100.000”, disse Miriam Barbuda, coordenadora de Estruturas Territoriais do IBGE, responsável pelo projeto.


“As representações e mapas com escalas maiores passaram a ficar muito mais bem definidas e próximas da realidade”, afirmou .


As plantas (ou cartas cadastrais) são feitas com escalas entre 1:500 e 1:20.000. Os mapas topográficos, que são adotados pelo IBGE O IBGE e a Diretoria do Serviço Geográfico do Exército, têm escalas entre 1:25.000 e 1:250.000, que são escalas médias.



Para o geógrafo e doutor em engenharia urbana e professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Abimael Cereda Junior, as reformulações na cartografia são exigências da atualidade. “Antes, no período das navegações, tínhamos o ‘terra à vista’. Claro que os conceitos de latitude e longitude foram construídos, mas o grau de precisão que possuíamos era inferior. Hoje, quando o GPS fornece uma informação errada, reclamamos. É porque as exigências se tornaram diferentes e a cartografia tem seguido esta tendência de se aperfeiçoar”, disse.


De acordo com o professor, no decorrer dos tempos, também foram sendo exigidas técnicas de mapeamento melhores. Obras para as Olimpíadas, as incentivadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, exigem uma visão territorial mais precisa. Para o especialista, o mapa deixou de ser uma mera ilustração ou uma figura estática. “O mapa é a fonte primária de tomada de decisão. Ele deixou de ser um símbolo de poderio militar, por exemplo, para ser acessível a todos”, disse.


Cada vez mais os serviços dependem do mapa — seja na logística, no planejamento urbano, no gerenciamento de dados. “Os mapas ganharam uma ampla gama de aplicação, mais definidos e próximos da realidade, o que é um avanço”, afirmou.

Além da questão técnica, aspectos legais podem alterar o território de um município.


Rafard


A pequena Rafard, com pouco mais de 8,6 mil habitantes e distante cerca de 50 km de Campinas, foi uma das cidades que mais perderam território com o novo território brasileiro do IBGE. A redução foi de 132,4 km quadrados para 121,6 (quase 11 km). Na Prefeitura, a assessoria informou não ter conhecimento do número. Por rádio, um assessor falou com o prefeito, Márcio Minamioka (PTB), que também disse desconhecer o tema e preferiu não comentá-lo.


Já em Águas de São Pedro, que é a menor cidade em território de todo o Estado de São Paulo, a alteração do mapa teve grande impacto. “Melhorou a medição e acabou elevando a área do município, que é pequeno, em mais de 50%. Em lugares com tamanho reduzido, uma pequena alteração tem mais reflexos”, disse Miriam. A cidade tinha 3,6 km quadrados em 2002 e passou para 5,5 km em 2010.

Brasil

O território brasileiro teve crescimento de 0,01%, segundo os dados divulgados pelo IBGE de 2010. A área total chegou a 8.515.692 km quadrados.


A primeira estimativa oficial da extensão do território brasileiro foi feita em 1889. O valor de 8.337.218 km quadrados foi obtido a partir de medições e cálculos efetuados sobre as folhas básicas da Carta do Império do Brasil, de1883.


A partir de 1922, a estimativa que passou a constar nas publicações oficiais brasileiras, da Comissão Organizadora da Carta do Brasil, do Clube de Engenharia, era de 8.511.189 km quadrados.


A diferença explicava-se pelos acréscimos territoriais verificados no período republicano, e também pela melhor qualidade da documentação cartográfica.


Em 1946, com o progresso dos trabalhos cartográficos, em especial os de atualização da Carta do Brasil ao Milionésimo, uma revisão da área oficial do Brasil aprovou para divulgação e uso oficial o valor de 8.516.037 km quadrados.


Revisão em 1952 tornou oficial o valor de 8.513.844 km quadrados. Na sequência, na década de 1980, o índice chegou a 8.511.965 km quadrados. Na década de 1990, iniciou-se uma reformulação técnica, metodológica e conceitual no cálculo das áreas estaduais e municipais. O processamento automatizado ganhou força a partir da digitalização de cartas topográficas. Desde então, o aperfeiçoamento contínuo do processo de cálculo das áreas territoriais vem tendo um ganho de qualidade que se reflete em discrepâncias em relação aos resultados anteriormente divulgados para as superfícies estaduais e municipais.


Os valores em 1993 totalizaram 8.547.403 km quadrados (incluindo as ilhas oceânicas). No ano 2000, a área nacional foi de 8.514.215 km quadrados. Em 2002, a superfície do Brasil chegou a 8.514.876 km quadrados. (Colaborou Gláucia Santinello/AAN)



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